Mesmo na crise, salários de executivos estadunidenses crescem pelo 2º ano consecutivo

2 maio

Do Opera Mundi:

Embora a crise financeira que atinge as principais potências econômicas do planeta mantenha mais de 9% da população norte-americana desempregada e enfraqueça o crescimento do país (a previsão do PIB é de 1,5%), os principais executivos dos EUA tiveram aumento salarial pelo segundo ano consecutivo – no ano passado, o rendimento dos chamados CEO’s subiu, em média, 15%.

De acordo com dados apurados pelo instituto de pesquisas GMI Ratings e divulgados pelo jornal britânico The Guardian, a elevação dos preços dos ativos negociados em Wall Street favoreceu esse reajuste salarial ao longo do ano passado. Em 2011, o valor médio dos rendimentos dos executivos atingiu o pico de 5,8 milhões de dólares.

Em 2010, quando a crise econômica era ainda mais intensa, a variação dos ganhos de grandes executivos conseguiu ser ainda maior, chegando à marca dos 28%. As últimas quedas no valor dos salários e benefícios recebidos pelos CEO’s ocorreram em 2008 e 2009, período no qual eclodiu a bolha imobiliária nos EUA.

Salários estagnados

Essa valorização da cúpula das grandes companhias norte-americanas destoa do cenário econômico do país. Enquanto a remuneração dos altos cargos se elevava, a pesquisa da GMI Ratings lembra que o salário médio do trabalhador permaneceu praticamente estagnado. Segundo estudo conduzido pela consultoria Mercer, operários viram um avanço de 3% em seus rendimentos, número que ultrapassa em apenas 0,3 pontos percentuais a inflação do país.

Também a renda média das famílias norte-americanas decaiu pelo terceiro ano consecutivo. Segundo números do Escritório de Estatísticas dos EUA, em 2010 o ganho médio familiar beirou os 50 mil dólares anuais, valor 7% inferior ao registrado dez anos antes.

Segundo a GMI Ratings, o executivo mais bem pago do país é Michael Johnson, CEO da companhia de nutrição Herbalife. Só no ano passado ele ganhou quase 90 milhões de dólares, sendo que a maior parte de seu rendimento veio do mercado financeiro. Entre 2003 e 2005, cada ação de sua companhia estava avaliada em menos de dez dólares. Hoje, elas ultrapassam a marca dos 70 dólares.

O dado surge num momento em que acionistas começam a questionar os rendimentos abusivos de CEO’s. No mês passado, os sócios do Citigroup votaram contra os planos da companhia de premiar seu diretor-executivo, Vikram Pandit, com 14,9 milhões. Desde o colapso do banco em 2007, esse seria seu primeiro bônus.

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