Ato nesta quinta-feira em frente à antiga sede do DOPS em Porto Alegre

10 maio

Do Comitê Gaúcho da Memória Verdade e Justiça (Comitê Carlos da Ré):

O Comitê Gaúcho da Memória Verdade e Justiça (Comitê Carlos de Ré) surgiu de uma iniciativa da sociedade civil organizada em torno da luta por memória, verdade e justiça, com o objetivo de disputar na sociedade a consciência de que necessitamos superar todas as mazelas herdadas da ditadura civil-militar brasileira.

O ato do dia 10/05 (em Porto Alegre) amplia o debate e unifica as diferentes frentes de luta que não se conformam com as mentiras e o silêncio que blindam nosso passado. Queremos identificar espaços de tortura e resistência que fazem parte da história da nossa cidade. Por isso estamos propondo uma caminhada que inicia na esquina da Vasco da Gama com a rua Santo Antônio (concentração às 17h), de onde marcharemos até a antiga sede do DOPS (Dopinho).

Além disso, estamos homenageado o lutador Carlos Minhoca Tejera de Ré, já que está fazendo um ano desde seu falecimento. Neste dia, é importante lembrar que, só no Rio Grande do Sul, temos 32 mortos e desaparecidos políticos, cujas verdadeiras histórias jamais foram reveladas, sendo que em alguns casos as famílias sequer souberam do paradeiro dos corpos, ficando impedidas de prestar suas homenagens.

Além dessa tortura – que só terá fim com a verdade -, a impunidade abre as portas para a repetição de todas as arbitrariedades que marcaram este período. A truculência da polícia, a criminalização dos movimentos sociais, o conservadorismo e a falta de transparência do Poder Judiciário nos dão provas diárias disso e apontam que ainda existem perseguidos políticos hoje.

Reconhecemos os avanços alcançados com a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (Lei nº 9.140/95) e com a Comissão da Anistia (Lei nº 10.559/02). Entendemos, contudo, que toda e qualquer iniciativa se mostra insuficiente sem o apoio e a pressão da sociedade civil, que deve ser protagonista deste processo histórico. Voltamos a nossa atenção para a Comissão da Verdade porque precisamos estar mobilizados para exigir que esta comissão, já amputada em seu projeto, não resulte objetivamente impedida de cumprir sua finalidade.

Não se trata de revanchismo. Nosso objetivo principal é recuperar a MEMÓRIA, para trazer à luz a VERDADE e possibilitar que a JUSTIÇA nos conduza a uma democracia plena, efetivamente livre das práticas ditatoriais que marcaram o nosso passado e contaminam nosso presente.

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