Ex-militante dos Panteras Negras concede entrevista

14 maio

Do Diário Liberdade:

A rede RT da Rússia é a primeira emissora de TV no mundo a falar com o jornalista e Pantera Negra Mumia Abu-Jamal desde, que foi retirado do corredor da morte em janeiro deste ano.

Sobre o fato de injustamente passar 30 anos no corredor da morte, Jamal afirma à RT que “na verdade passei a maior parte dos anos da minha vida no corredor da morte. Então, de diversas formas, ainda nos dias de hoje, na minha mente, se não de fato, continuo no corredor da morte”.

Jamal, que completou 58 anos em abril, passou mais da metade da vida no corredor da morte. Sobre o assunto ele disse que perdeu “grande parte da minha vida, a maior porcentagem dela, no corredor da morte. E não há como não ter um efeito profundo na consciência e na forma como se vê e interage com o mundo. Eu gosto de dizer a mim mesmo que passei muito tempo para além das grades, em outros países e outras partes do mundo. Porque o fiz mentalmente. Mas o mental pode apenas te levar para longe”.

Apartheid

O jornalista afirma que gostaria de ter estado na luta contra o Apartheid na África do Sul. Para ele, a luta levada a cabo pelos negros sul-africanos “também foi global, porque era a supremacia branca versus a liberdade e dignidade do povo africano”. Provando que está em plena consciência, Jamal afirma que “onde quer que o povo esteja lutando por liberdade, ganha meus olhos, tem minha atenção e move minha paixão”.

O sistema prisional fascista

Dentre os temas abordados pela entrevista, Abu-Jamal relata um acontecimento quando ele estava no centro de Manhattan protestando contra a prisão, encarceramento e ameaças enfrentadas de Angela Davis. O jornalista lembra que Davis, à época, falava em 250.000 ou 300.000 pessoas encarceradas em todos os Estados Unidos e que esta era uma situação que beirava o fascismo. Atualmente existem mais de 300.000 prisioneiros apenas na Califórnia, um estado em cinquenta. Assim, conclui Jamal, “é monstruoso quando você realmente vê o que está acontecendo hoje. Você pode literalmente falar de milhões de pessoas encarceradas pelo complexo prisional-industrial de hoje: homens, mulheres e crianças. E este nível de encarceramento em massa, repressão em massa real, tem um impacto imenso sobre as outras comunidades, não apenas entre famílias, mas em uma consciência social e comunal, e na criação do medo entre as gerações. Então está em um nível e profundidade em que muitos de nós não pode sequer sonhar hoje”.

O movimento pelos direitos civis

Falando sobre o movimento pelos direitos civis dos negros dos anos 60, Mumia Abu-Jamal diz que “se você olha para a vasta maioria das crianças negras pobres da classe trabalhadora nas escolas americanas de hoje, elas vivem e gastam suas horas e seus dias no sistema tão profundamente segregadas quanto seus avós, mas não segregadas apenas pela raça, segregadas pela raça e classe”. Mostrando lucidez em ver que em grande parte os problemas da população negra norte-americana não mudaram significativamente, o jornalista afirma que “o problema realmente se tornou pior e pior e pior. E enquanto há muita retórica sobre escolas, as escolas americanas são uma tragédia”.

O FBI persegue militantes negros

Respondendo uma inquirição da RT, sobre o caráter do FBI, Jamal diz que o FBI e seus agentes sabem que suas ações são completamente ilegais, e que eles foram treinados justamente para “invadir lugares, como fazer o que eles chamavam de black bag Jobs [trabalhos com sacos pretos] e este tipo de coisa, como cometer crimes”. Jamal critica o Patriot Act, tendo em vista que essa medida “legalizou tudo o que era ilegal entre os anos 50 e 70. Significa que eles podem ver sua correspondência, certamente podem ler seu e-mail, eles grampeiam seu telefone, e o fazem em nome da segurança nacional”.

Ocupe Wall Street

Sobre as recentes manifestações contra o capital financeiro, Jamal diz que “tem de ser mais amplo, tem de visar as questõessssss que estão tocando as vidas das pessoas pobres da classe trabalhadora… É um bom começo, apenas desejaria que fosse maior e mais raivoso”. Mumia

Abu-Jamal é jornalista há anos e, mesmo preso, é dedicado à luta do povo negro. Na prisão, escreveu o livro “Ao vivo do corredor da morte” (Live from Death Row), cujo texto, traduzido para várias línguas e em vários países, se transformou em reconhecida propaganda antirracista. A Justiça norte-americana e o atual governo Obama, com o total apoio da direita conservadora, tentou durante décadas, através da força repressiva do Estado, calar a voz de um líder e militante negro, mas a luta pela liberdade de Abu-Jamal é a representação da luta coletiva do povo negro. A prisão de Abu-Jamal mobiliza amplos setores da população nos Estados Unidos, Europa e também no Brasil.

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