MPF da Bahia entra com representação contra repórter do Brasil Urgente

23 maio

Do Sul 21:

A coordenação do Núcleo Criminal do Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) apresentou nesta quarta-feira (23) representação pedindo a adoção de medidas cabíveis contra a repórter Mirella Cunha, do programa Brasil Urgente Bahia, exibido pela filiada local da emissora Band TV. O objetivo é apurar os indícios de violação de direitos constitucionais de um entrevistado, que sofreu humilhações durante uma edição do programa.

Durante a matéria “Chororô na delegacia: acusado de estupro alega inocência”, a repórter fala com um jovem preso por tentativa de roubo. Na gravação, feita dentro da 12ª Delegacia de Itapoã, em Salvador (BA), a jornalista acusa o jovem de ter tentado estuprar uma pessoa e faz piadas com o fato de o detido ter confundido exame de corpo delito com exame de próstata, além de debochar dos erros de português do acusado.

De acordo com o procurador da República Vladimir Aras, coordenador do núcleo criminal da MPF/BA, a gravação apresenta indícios de abuso de autoridade, de ofensa a direitos da personalidade e de descumprimento da Súmula Vinculante (SV) 11 do Supremo Tribunal Federal (STF), que limita uso de algemas a casos excepcionais.

Segundo o MPF/BA, o procurador também solicitou que a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP/BA) informe se há regulamento quanto à proibição de exposição de presos a programas como o Brasil Urgente dentro das delegacias de Polícia de Salvador. Além disso, foi protocolado pedido junto ao SSP/BA para que remeta ao MPF cópia do auto de prisão em flagrante do homem entrevistado, além de solicitação à Band Bahia para que preserve a fita bruta (sem edição) com a gravação das imagens que entraram na matéria e a encaminhe ao MPF, em um prazo de cinco dias.

Postada no YouTube nos últimos dias, a matéria provocou uma onde de indignação nas redes sociais e levou um grupo de jornalistas, em sua maioria baianos, a enviar carta aberta ao governador baiano Jacques Wagner (PT) exigindo providências sobre o caso. Em nota, a TV Bandeirantes da Bahia manifestou-se brevemente, resumindo-se a dizer que vai tomar “todas as medidas disciplinares necessárias” e que “a postura da repórter fere o código de ética do jornalismo da emissora”.

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