A importância das cotas nas universidades

19 jul

Texto de Stefan Vargas, aluno de Ciências Sociais da UFRGS e militante do Coletivo Vamos à Luta!

No ano de 2012 será reavaliada a política de Cotas na Universidade, esta que , há cinco anos atrás foi conquistada através de muita luta e suor pelo movimento negro apoiado no movimento estudantil, que construiu em 2007 duas ocupações de reitorias. Naquele ano se enfrentou um ataque muito grande orquestrado pela mídia e pelos setores mais reacionários da sociedade que perante uma universidade profundamente conservadora obteve grande repercussão. Este setor chegava ao cúmulo de pichar nas paredes que “lugar de negro era na cozinha do RU” e pregava o ódio aos cotistas, escancarando todo o racismo da elite que domina os espaços desta universidade.

As cotas são uma conquista, pois trouxeram para dentro das estruturas da universidade a contradição da realidade brasileira. A periferia negra e os filhos da classe trabalhadora que raramente tinha sequer uma oportunidade de frequentar a UFRGS, hoje possui esta oportunidade graças à luta que travou o movimento negro dentro e fora da universidade. Luta esta que precisa ser repetida , pois nós já sabemos que da reitoria não podemos esperar nada.

Agora nós temos que refletir como anda a política de ações afirmativas nestes cinco anos. Apesar da conquista, nós ainda vemos que com a atual política a UFRGS segue sendo muito elitizada, isso porque a porcentagem que se aplica é uma das mais baixas do país. Hoje, apenas 30% das vagas são reservadas para alunos cotistas (15% Negros Escola Pública e 15% escola Pública). Nós estudantes, não podemos nos conformar com isso. Com esta política, a UFRGS vai continuar sendo excludente, temos que pressionar para que se amplie as cotas. Queremos 50% de cotas Já! Queremos que a UFRGS reflita o povo que a sustenta.

Outro ponto a se pensar é o da política de assistência estudantil. Entramos em época de consulta para reitor, e com certeza o reitor Alex virá com um lindo discurso sobre a realidade da UFRGS, porém, nós sabemos como é a realidade da UFRGS. Nós sabemos como é estudar sem poder ter uma biblioteca que contenha acervo suficiente. Tendo apenas um Xerox, recebendo uma bolsa de R$400, um auxilio material que é uma piada e diversos outros problemas que não caberiam neste jornal. Tudo isso é culpa da reitoria, que se cala, e consente com os seguidos cortes de verbas na educação aplicados pelo governo Dilma. Ainda aplica uma política miserável de assistência estudantil, fazendo com que muitos alunos cotistas não consigam manter-se na universidade. Nós temos que lutar por maior assistência estudantil e por uma política decente de permanência.

Esta luta é uma luta de todos aqueles que lutam contra a desigualdade neste país. Todos nós devemos nos somar a esta luta!

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