Encontro em Porto Alegre manifesta solidariedade à Revolução Cubana

26 nov

Texto: Alexandre Haubrich

Fotos: Alexandre Haubrich (1 a 6) e Rolf Jesse Fürstenau (7 e 8)

Vídeos: Rolf Jesse Fürstenau

Reunindo militantes brasileiros em defesa da Revolução Cubana, aconteceu nesse sábado o I Encontro Estadual de Brigadistas do Rio Grande do Sul, , organizado pela Associação Cultural José Martí. Aberto ao público, o encontro se estendeu por todo o dia, trazendo relatos de ativistas que participaram das Brigadas de Solidariedade a Cuba. As Brigadas são viagens militantes de ativistas de toda a América Latina a Cuba, onde têm a possibilidade de participar de uma programação de palestras, debates e visitas especialmente preparadas para isso, conhecendo as faces da Revolução que não aparecem na mídia dominante, derrubando o muro do bloqueio midiático sofrido pela ilha.

O objetivo do Encontro realizado no sábado foi trazer informações para os Brigadistas que irão a Cuba em janeiro de 2013 e apresentar a interessados o funcionamento das Brigadas e uma visão sobre a Revolução alinhada com os valores socialistas – solidários e internacionalistas. O ponto alto do evento foram as palestras finais, de Rafael Balardin e Ruth Inácio, respectivamente sobre o bloqueio midiático a Cuba e sobre o sistema político de Cuba. Cerca de 30 pessoas acompanharam o Encontro pela manhã, chegando perto de 50 à tarde.

A parte da manhã foi o momento em que Brigadistas de 2010, 2011 e 2012 relataram suas experiências em relação a temáticas específicas. Sandra, Brigadista de 2010, falou sobre a Educação em Cuba, destacando o funcionamento da Escola Latino-Americana de Medicina (Elam) e da Escola de Artes, além das organizações estudantis: Federação Estudantil do Ensino Médio, União da Juventude Comunista e Federação Estudantil Universal. Também representando as Brigadas de 2010, Guilherme e Felipe falaram sobre a importância da defesa dos Cinco Heróis em Cuba, os agentes de inteligência cubanos que foram presos nos EUA quando estavam infiltrados em organizações terroristas que atuam contra a Revolução Cubana, em história retratada recentemente no livro “Os Últimos Soldados da Guerra Fria”, de Fernando Morais.

Quatro Brigadistas de 2011 falaram sobre as funções dos Comitês de Defesa da Revolução (CDRs), espalhados pelos bairros de Cuba, cujo funcionamento se assemelha às associações de bairro, com a adição de um caráter político e politizador fundamental e de uma participação absolutamente ativa na vida cubana. Dentre as funções dos CDRs estão apoios relacionados à vigilância, Educação, eventos culturais, vacinações e a organização, a nível local, do processo eleitoral.

Por fim, Renata, Fernando e César, Brigadistas em 2012, falaram sobre a questão do abastecimento em Cuba, apresentando as principais vias rodoviárias, portuárias e aéreas pelas quais circulam as mercadorias no país e algumas das dificuldades causadas pelo bloqueio econômico estadunidense.

À tarde, mobilização e emoção

A segunda parte do Encontro foi dedicada a duas palestras densas, com caráter mais amplo e aprofundado do que as rápidas falas da manhã. Rafael Balardin, professor de Relações Internacionais da Unipampa, falou sobre o bloqueio midiático sofrido por Cuba, através do qual são sonegadas da população de boa parte dos países capitalistas – incluindo o Brasil – informações sobre a realidade cubana. A cobertura sobre Cuba, quando há, é pautada por estigmatizações e ataques a partir de situações que pouco têm a ver com os fatos.

A palestra final foi de Ruth Ignácio, professora da PUCRS e doutora em Educação e Sociologia. Foi uma fala forte, contundente, que partiu da temática do Sistema Político Cubano mas acabou abordando uma grande diversidade de temas relacionados direta ou indiretamente, desde a sociedade cubana até a história da Revolução e o contato que Ruth teve com os cubanos quando esteve por lá. Em mais de um momento Ruth se emocionou, chegando às lágrimas ao lembrar que os sonhos dos cubanos não são individuais, mas coletivos, solidários e buscados com confiança na vitória.

Sobre o Sistema Político, a professora explicou que o Partido Comunista não governa e não influi diretamente no processo eleitoral: “60% dos deputados não são do Partido”, complementou. Falou também dos presos políticos, criticando a situação mas destacando que existem presos políticos em todos os países, e que Cuba precisa acabar com esse problema e tem possibilidade de avançar nesse sentido: “Cuba não se fez, Cuba se faz”, disse.

A fala de Ruth terminou de forma apoteótica, fortemente aplaudida pelos cerca de 50 presentes após lembrar Che Guevara: “Se vocês ficam indignados com a injustiça, com a miséria, com a corrupção, e se vocês defendem a Revolução Cubana, a América Latina e a África, então nós somos companheiros e companheiras.”

 

 

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