“A Palestina é o coração de um mundo sem coração”, diz Emir Sader no Fórum Palestina Livre

30 nov

Alexandre Haubrich

“Viva o Estado da Palestina!” foi o grito de ordem que guiou todas as falas da Conferência A Paz no Oriente Médio e a Criação do Estado Palestino, na tarde desta sexta-feira na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. A Conferência foi mais uma atividade do Fórum Social Mundial Palestina Livre, que acontece em Porto Alegre desde quarta-feira e até sábado.

Na mesa, Socorro Gomes (Conselho Mundial pela Paz), o sociólogo Emir Sader, Emir Mourad (Fepal), Claude Hajjar (Fearab), Silvio Platero (Movimento Cubano pela Paz) e João Felício (CUT).

Foto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

Foto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

“A Palestina é o coração de um mundo sem coração”

Sader foi o primeiro a falar, e abriu seu discurso dando as boas vindas ao Estado Palestino e ao povo palestino, e seguiu guiando sua fala pelas mudanças que resultarão da aprovação, pela ONU, da Palestina como Estado observador não-membro. Disse que a grande mídia está tentando diminuir a importância dessa mudança para não admitir sua grande derrota: “Agora a ocupação é de um Estado, não de um território”, explicou, antes de dizer que “abre-se um nível diferente de luta”, incluindo a possibilidade de participação palestina em diversas organizações internacionais. O sociólogo afirmou ainda que é necessário agora atuar sobre os setores progressistas dos EUA e sobre a opinião pública israelense, e lembrou suas idas a Palestina: “Quem vai a Palestina se torna inevitavelmente um combatente em defesa da Palestina”. Foi além: “A questão da Palestina é o grande tema do nosso tempo. A Palestina é o coração de um mundo sem coração”.

Emir Mourad, representante da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), saudou a força da caminhada em defesa da Palestina que abriu oficialmente o Fórum na quinta-feira: “Ela é a força que Israel não consegue derrotar”, disse. Mourad explicou que inicialmente o Fórum seria realizado no Egito ou na Tunísia, mas as revoltas sociais nesses países impossibilitou a ideia. Segundo contou, foi a CUT quem propôs o Brasil como sede. As tentativas de exercer pressão sobre os apoiadores do Fórum foram alvo de críticas, mas a exaltação do resultado do Fórum foi maior: “Em uma partida de futebol, com suas caneladas e pênaltis perdidos, o que importa é o resultado final”, comemorou.

Quem falou na sequência foi o secretário de Relações Internacionais da CUT, João Felício, que lembrou a importância de construir direitos trabalhistas na Palestina ao mesmo tempo em que se constrói o Estado, e chamou à ação: “O Fórum Social Mundial às vezes faz muita reflexão e pouca ação. Eu estou em uma idade, 62 anos, em que estou cansado de só fazer reflexão, quero fazer gol. E esse Fórum foi um golaço!”.

Claude Hajjar, da Federação de Entidades Árabe Brasileiras (Fearab), fez um discurso emocionado sobre a situação do povo palestino, e lembrou que, “considerando os 400 anos de Império Otomano e ocupação britânica, são 464 anos em que os Palestinos esperam por um Estado”.

Lula envia carta de saudação

O cubano Silvio Platero leu um manifesto assinado por “mais de 250 companheiros cubanos”, que representaram diversas organizações da ilha no que Platero chamou de “pequeno Fórum Palestina Livre”, uma sequência de debates feitos em Cuba sobre a questão palestina. Falou em frente a um painel que lembrava os “cinco heróis” cubanos presos nos EUA. Terminou sua fala exaltado, sob entusiasmados aplausos: “Palestina existe e resiste! Cesse o terrorismo sionista! Palestina livre! Palestina vencerá!”.

Foto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

Foto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

Quando o volume das palmas começou a diminuir foi lida uma carta enviada pelo ex presidente Lula: “Espero que os partidários da paz saiam desse Fórum com o ânimo renovado”, dizia o texto.

Socorro Gomes, do Conselho Mundial pela Paz, foi a última a ter a palavra, e se mostrou contente por ver, no momento em que se discutia a inclusão da Palestina na ONU, as diversas organizações palestinas juntas, unidas. Também falou na importância da criação de Comitês em Defesa da Palestina em todos os países e em todos os Estados do Brasil. Segunda ela, é uma ação estratégica para fortalecer a luta e a frente anti-imperialista.

O Auditório Dante Barone esteve com quase metade de sua lotação ocupada por ativistas que, junto com os integrantes da mesa, comemoraram a decisão tomada pela ONU no dia anterior, mas saíram às ruas com a consciência de que a luta precisa seguir. Esse foi o tom de todas as falas, e o clima geral da Conferência. A Palestina existe segue resistindo.

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