Funcionária da Carris é demitida por suposta ofensa a prefeito de Porto Alegre em rede social

5 abr

547775_374851935962205_1643689773_nDo Sul 21:

Na quarta-feira (3) a funcionária da Carris Karina Manke Lemos, que trabalhava como cobradora, foi avisada pelo motorista que o seu nome não aparecia junto ao dele na escala de quinta-feira (4). Ontem, quando Karina foi verificar o que havia ocorrido, ela foi chamada pela coordenadoria da empresa, que apresentou uma espécie de dossiê com cópias de postagens suas noFacebook relacionadas com o aumento da passagem de Porto Alegre. Logo após foi apresentado a ela um documento que anunciava a sua demissão por justa causa.

De acordo com a Carris, o motivo da demissão por justa causa não foi em função de suas posições contrárias ao aumento da passagem, mas por ela ter sugerido na rede social que o prefeito da cidade, José Fortunati (PDT), “faturaria” com o reajuste aprovado este ano, elevando o valor da tarifa para R$ 3,05. Karina se defende da acusação dizendo que apenas fez um questionamento ao prefeito. “Fiz uma pergunta e não uma afirmação. E junto compartilhei uma notícia a respeito do aumento das passagens”, alegou.

Conforme a Carris, a frase que Karina usou ao fazer referência ao Fortunati foi: “Eai senhor prefeito quantos por cento fatura nessa jogada?!”. A empresa de transporte explicou ainda que esse fato teria sido a gota d’água para a sua demissão, pois a cobradora “apresentava desempenho operacional insatisfatório, com a ocorrência de atrasos, faltas e ofensas a superiores”, conforme foi comunicado em nota oficial à imprensa.

A assessoria de imprensa da Carris relatou que a funcionária apresentava duas advertências por falta em serviço sem justificativa – uma no dia 20 de julho de 2007 e outra no dia 10 de novembro de 2009. Também possuía duas advertências por “ofensas ao monitor”- uma no dia 6 de setembro de 2010 e outra no dia 5 de maio de 2011.

Cobradora acredita que sofre perseguição política

Karina, que em junho deste ano completaria 9 anos de atuação na empresa, por sua vez, considera a decisão injusta e acredita que sofre perseguição política. “Com certeza [sofro de perseguição política]. Ano passado já sofri advertência, quando assinei um panfleto
que criticava a atual administração. Hoje o funcionário é um número que eles demitem e trocam por outro número”, condenou ela.

A funcionária afirma que irá protocolar uma denúncia no Ministério Público sobre a sua destituição. “Vamos dar 72 horas para eles reverem minha demissão. Estamos livres pela justiça para fazer qualquer tipo de manifestação legal depois desse período”, disse. Conforme a assessoria da Carris, a empresa não voltará atrás ao menos que a justiça determine. Além disso, apresentará a justiça o dossiê que mostra o histórico de conduta da funcionária, que justificaria a sua demissão por justa causa.

No documento de demissão de Karina diz que a dispensa está em conformidade com o artigo 482 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), nas seguintes alíneas: b) incontinência de conduta ou mau procedimento; k) ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas físicas praticadas contra o empregador e superiores hierárquicos, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem. A funcionária se recusou a assinar o documento.

50% dos funcionários da Carris teriam que ser demitidos pelo mesmo motivo, diz cobradora

A cobradora conta com o apoio da Comissão de Funcionários da Carris para conseguir ser readmitida. Na madrugada desta sexta-feira (5), os funcionários promoveram uma panfletagem informando a sua situação. Na avaliação de Karina, se fosse para demitir todos os funcionários que compartilharam alguma coisa sobre o aumento da passagem em redes sociais a empresa dispensaria 50% de seus servidores.

“Estamos desde o início ajudando os estudantes.  Se não podemos nos manifestar uma coisa que está errada, o que a gente pode então? É como voltar a ditadura”, desabafa. A funcionária critica também as más situações de trabalho que a empresa oferece. Em sua página do Facebook ela postou fotos mostrando a precariedade higiênica de terminais, onde trabalha. “É tapado o sol com a peneira. Para fora a Carris está maravilhosa. Mas a verdade é que todas as companhias de transporte estão defasadas e o valor de R$ 2,85 é ainda abusivo”.

Sou cidadã de Porto Alegre acima de qualquer coisa, diz funcionária da Carris

Segundo Karina, a empresa lhe disse que a acusação das postagens no Facebook partiu de uma senhora que encaminhou um e-mail para a Carris dizendo ser um absurdo uma funcionária pública ser contra o  aumento da passagem, uma vez que são as tarifas que pagam o seu salário. A esse argumento ela rebate: “além de trabalhar na Carris eu uso o transporte público. Minha família toda paga a passagem e todo mundo acha caro. Sou cidadã de Porto Alegre acima de qualquer coisa. Eu tenho direito de exercer meus pensamentos e minhas ideias”.

Karina diz não se intimidar com a ação da Carris e afirma que seguirá postando suas posições no Facebook. “Vou seguir com a minha ideologia. Chega do povo aceitar de boca calada tudo o que é determinado por quem está acima . O que está errado deve ser criticado, assim como o que está certo deve ser elogiado”, defende.

Novas manifestações em defesa da funcionária devem acontecer na próxima semana. A funcionária não descarta até mesmo uma greve. “Sempre definimos as manifestações em conjunto. Vamos conversar e discutir o melhor caminho. Não queremos prejudicar a população, mas a direção não nos dá outra saída. Ontem, tentamos falar com a direção e ela não nos deu ouvidos. Estamos tentando negociar de uma forma democrática, mas pelo jeito eles não sabem o significado de democracia”, conclui.

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