Fórum pela Paz na Colômbia – debate sobre Educação defende ensino popular

25 maio

Texto e fotos: Alexandre Haubrich, Jornalismo B

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A manhã de sábado no Fórum pela Paz na Colômbia, que está reunindo em Porto Alegre centenas de ativistas de toda a América Latina, começou com debates sobre Educação e Paz, Mulheres pela Paz e Terra e Território para a Paz. O Jornalismo B acompanhou a primeira dessas mesas, que teve com painelistas a cubana Miriela Fernandez, do Instituto Martin Luther King Jr., Selene Barboza Michielin, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, e Nelson Fajardo Marulanda, professor da Universidad Distrital de Bogotá.

Marulanda abriu os trabalhos explicando a forma como está organizada a estrutura de Educação na Colômbia, voltada ao trabalho, “estruturada nas diretrizes do Banco Mundial”, evitando construir cidadãos “que pensem a sociedade”. Criticou também a categoria de professores, que, segundo ele, desde os anos 1980 entraram em um estado de “letargia”, mais interessados em recompensas materiais do que em Educação. Marulanda explicou ainda que os alunos colombianos passam direto nas séries escolares, chegando às universidades despreparados. Mesmo assim, reconhece que foi a mobilização estudantil que, apesar da letargia dos professores, evitou a reforma universitária que o presidente Juan Manoel Santos pretendia implantar, o que aprofundaria o processo de privatização do ensino.

O professor definiu dois eixos como fundamentais na problemática da Educação colombiana: a letargia dos mestres e a crescente militarização das universidades, tanto de forma ostensiva quanto através de inserção dos serviços de inteligência. Isso tem resultado em diversos líderes estudantis sistematicamente assassinados por paramilitares.

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A também professora Selena Michielin, presidenta da Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação, fez uma fala mais curta, apresentando os posicionamentos da CNTE em defesa da Educação Popular, citando Paulo Freire e chamando ao reconhecimento da pluralidade como caminho fundamental à Educação emancipadora. Disse ainda que “a Educação para a paz precisa desenvolver uma cultura de respeito aos Direitos Humanos”, e que a Educação é parte desse desenvolvimento.

A cubana Mirilea Fernandez, representante do Instituto Martin Luther King Jr., procurou inserir a questão da Educação no contexto geral da América Latina. Destacou que o Brasil, mesmo em constante desenvolvimento econômico, é um dos países com mais analfabetismo no continente. Para ela, isso representa a comprovação de que não adianta desenvolvimento econômico se não houver comprometimento social. Descreveu em seguida alguns traços da Educação em Cuba, lembrando que o ensino na ilha é um direito e um dever.

Miriela saiu da discussão sobre a Educação formal para falar da importância da Educação Popular, “que começou com Paulo Freire e se espalhou pela região”. Disse ainda que não é possível construir uma Educação emancipadora sem uma prática emancipadora, e destacou as iniciativas de Educação em movimentos sociais, citando o caso da Escola Florestan Fernandes, do MST. Por fim, chamou os universitários a não se limitarem à academia, a buscarem a realidade das ruas, a tornarem-se intelectuais orgânicos.

Antes de encerrar-se o debate participou ainda um integrante da Marcha Patriótica, organizadora do encontro, que disse não querer o fim do conflito, mas sua ressignificação, sua colocação em outro campo que não o militar “precisa ser desconstruída a ideia de que a insurgência colombiana surgiu por osmose, ela tem raízes históricas e sociais”, disse. Lembrou ainda que são 8500 presos políticos, 30 mil desaparecidos, e uma sociedade assim “não pode ser considerada democrática”.

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