Movimentos sociais unidos ocupam Câmara de Vereadores de Santa Maria

27 jun

Felipe Severo*, especial para o Jornalismo B

Na tarde da última terça-feira, 25 de junho, cerca de duas mil pessoas saíram da Praça Saldanha Marinho, no centro de Santa Maria (RS), em direção à Câmara de Vereadores. A caminhada, organizada pelo Movimento Santa Maria do Luto à Luta, pelo DCE da UFSM, por sindicatos e por outros movimentos sociais, pretendia cobrar por justiça em relação à tragédia da Boate Kiss e por melhorias no transporte público.

Foto: Nathália Schneider / TrançaRua

Foto: Nathália Schneider / TrançaRua

Quando chegou à Câmara, o movimento interrompeu a sessão ordinária – que, até o momento, discutia pautas de pouca relevância social. As demandas foram apresentadas: uma audiência pública para discutir o transporte público na cidade, em que pudesse ser feito oficialmente o pedido de redução da tarifa, de licitação para as empresas, de melhoria dos serviços e de volta do passe livre; exoneração do procurador jurídico da Câmara, Robson Zinn; e, por fim, renúncia dos vereadores Maria de Lourdes Castro, Dr. Tavores e Sandra Rebelato dos cargos que ocupam na CPI da Kiss após o vazamento de áudios de conversas em que tentam proteger um assessor ligado diretamente ao prefeito Cezar Schirmer (PMDB).

Os três vereadores citados na escuta não se encontravam na sessão. Os manifestantes exigiram que o presidente da Câmara, Marcelo Bisogno, entrasse em contato com os ausentes. Bisogno retornou dizendo que Maria de Lourdes, Sandra Rebelato e Dr. Tavores dariam uma coletiva de imprensa na manhã de quinta-feira a respeito da manifestação e do áudio vazado.

Depois de horas de negociação, no entanto, como nenhuma das pautas dos manifestantes havia sido atendida, decidiu-se ocupar a Câmara. Comissões foram rapidamente organizadas para garantir as melhores condições possíveis na ocupação.

A partir daí o que se tem visto é uma repetição de desrespeito por parte dos representantes públicos. Em primeiro lugar, a conexão à internet foi cortada para dificultar o contato dos manifestantes com o resto da população. Os três vereadores acabaram não dando coletiva de imprensa e ainda a condicionaram à desocupação da Câmara. Os vereadores, ainda por cima, encontraram-se em local secreto.

A ocupação agora adentra sua segunda noite. Os manifestantes, certos do apoio da população santa-mariense, garantem que só desocuparão a Câmara quando suas pautas forem atendidas.

*Da redação da Revista O Viés e do TrançaRua

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