Protesto em Porto Alegre leva milhares à frente do Palácio Piratini. Tarso anuncia passe livre estadual

28 jun

Texto e fotos: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

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A gelada noite de quinta-feira começou cheia de calor humano em Porto Alegre. Com a novidade de um caminhão de som, shows e discursos, o ato pretendia manter-se em frente ao Palácio Piratini, na Praça da Matriz. Milhares de manifestantes se reuniram para celebrar conquistas e construir avanços. Cartazes das mais diversas matizes se espalharam pela Praça, com um predomínio visível de pautas caras à esquerda. Algumas mensagens lembravam ainda o combate à corrupção e traziam críticas à presidenta Dilma Rousseff e elogios ao ministro do STF Joaquim Barbosa.

Em meio a conversas, palavras de ordem e discursos, vendedores aproveitavam para ganhar o pão de amanhã. Cerveja, refrigerante, água, vinho e salgadinhos eram vendidos. Um homem se atrapalhava com as dezenas de bandeiras do Brasil que tentava vender. Dependendo do tamanho valiam R$ 5, R$ 10, R$ 20 ou atém R$ 50. Reclamou que no protesto anterior vendera mais, cerca de 20. hoje, apenas 10.

No carro de som, músicos e lideranças se revezavam ao microfone, entre música e discursos. Mercedes Sosa foi lembrada por uns, os mortos do Complexo da Maré, por outros. Também os desalojados da Copa foram homenageados e apoiados, enquanto foi exigido o avanço de pautas ligadas à democratização da mídia: revisão das concessões de rádio e TV, fim da publicidade estatal nos veículos do Grupo RBS, investigação das relações entre a Ditadura Militar e o mesmo conglomerado.

A Brigada Militar, que fizera um isolamento com grades, observava tudo sem grandes movimentações. Já durante a tarde estivera espalhada pelo Centro fazendo algumas revistas em pessoas que chegavam à região. A linha de ação foi diferente dos outros protestos, e não houve intervenções de dispersão.

Um tumulto teve início, porém, quando um grupo de manifestantes e de pessoas que estavam em torno da manifestação começou a disputar espaço com o carro de som e reclamar das manifestações culturais. “Protesto não é festa”, gritavam alguns. Segundo relato de Julio Câmara, que estava ao lado do carro de som, um rapaz correu de dentro da Praça e tentou cruzar as grades. Com a movimentação algumas bombas foram jogadas pela Brigada Militar, e parte do grupo maior se dispersou. 

A jornalista Fernanda Nascimento narrou o momento do confronto da seguinte forma, em seu perfil no Facebook:

Pela primeira vez, a manifestação não começou a ser dispersada por uma ação da Brigada Militar. Estávamos próximas ao Palácio da Justiça, observando a manifestação, que rolava com música e palavras de ordem, com um carro de som na frente do Piratini. Lá pelas 20h30 desceu um grupo com mais ou menos 300 pessoas do Monumento Júlio de Castilhos. Sem cartazes, sem bandeiras, correram em direção a Riachuelo e, os últimos, começaram a atirar pedras, garrafas e objetos na Brigada Militar que fazia a segurança em frente ao Palácio da Justiça. Saímos dali e esperamos na rua lateral. A ação da polícia até que demorou frente ao ataque, mas logo vieram as bombas de efeito moral. Lá na frente (no Piratini), houve dispersão, atrás também e não havia onde ir no centro sem encontrar grupos que pareciam dispostos somente a realizar saques. A sensação de quem estava próximo é que, sem marcha pelas ruas, estes grupos que aproveitam a manifestação para realizar saques ficaram insatisfeitos com a falta de mobilidade que o evento lhes dava e acabaram provocando a dispersão.

Igor Natusch, editor do Sul 21, compartilha do depoimento de Fernanda: “Um grupo começou a tentar descer em direção ao Largo gritando ‘Prefeitura! Prefeitura!’. Tinha uma galera há horas dando uma insuflada nisso, gerando um rompimento. Daí aparentemente um grupo começou a hostilizar os policiais que estavam no Palácio da Polícia, que então jogaram bombas”, contou Igor ao Jornalismo B.

Uma parte dos manifestantes seguiu em frente ao Palácio Piratini por mais alguns minutos. A dispersão de boa parte aconteceu pela Duque de Caxias, enquanto o Bloco de Lutas seguiu até o Largo da Epatur. Enquanto isso algumas gangues espalhadas pelo Centro e pela Cidade Baixa destruíam as portas de pequenas casas de comércio, carros particulares, placas de sinalização, contêineres e bicicletas de aluguel. A BM aos poucos chegava aos principais focos de vandalismo, alternando revistas normais com algumas agressões e subsequentes liberações. Uma emissora de televisão transmitiu ao vivo quando dois policiais agrediram um rapaz e depois o liberaram. Por volta das 22h a situação já era relativamente tranquila.

Governador recebe manifestantes e fala com Tropa de Choque em frente ao Palácio

O governador Tarso Genro, que durante a tarde anunciara o Passe Livre para estudantes em passagens intermunicipais e, durante o Gabinete Digital, analisara os protestos e pedira avanços da democracia direta, recebeu no Piratini onze lideranças do Bloco de Lutas no início do ato. Os ativistas pediram apoio para identificação de neonazistas infiltrados no movimento, apresentaram as demandas do Bloco e reclamaram da violência das ações recentes da Brigada Militar. Na conversa de cerca de meia hora, Tarso reconheceu os erros da BM. Mais tarde, ao fim do ato desta segunda-feira, reuniu a Tropa de Choque em frente ao Palácio Piratini e, segundo um assessor, elogiou o trabalho feito nesta noite.

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2 Respostas to “Protesto em Porto Alegre leva milhares à frente do Palácio Piratini. Tarso anuncia passe livre estadual”

  1. sergio 29 de junho de 2013 às 14:49 #

    estive lá tudo corria bem, como sempre me retiro quando a coisa ferve pois não é para isto que vou…e me sinto triste poe não achar minhas fotos. levo sempre a bandeira da Syria aqual sou ativista contra a opressão na quele país. se alguém ver de capacete com uma bandana do Brasil no rosto e uma bandeira Syria me envie por favor …e vamos a luta….rivarollasergio@hotmail.com…abraços.

  2. sergio 30 de junho de 2013 às 17:59 #

    cade minha foto????

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