Manifestantes ocupam Câmara de Vereadores de Porto Alegre “em caráter permanente”

11 jul

Texto: Alexandre Haubrich e Bruna Andrade

Fotos (com exceção das especificadas): Bruna Andrade / Jornalismo B

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Foto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

No início da tarde, em pequenos grupos, começaram a chegar à Câmara de Vereadores de Porto Alegre jovens que destoavam daquele cenário sisudo, de senhores engravatados e vossas senhorias. Por volta das 17h30, o vereador Thiago Duarte, do PDT, presidente da Casa, sugeriu uma conversa, após a sessão, com as dezenas que já se encontravam nas galerias. Então Matheus Gomes, liderança da ANEL e integrante do Bloco de Luta pelo Transporte Público, ergueu um megafone, e o que dizia era repetido pelos que o rodeavam para que todos ouvissem. Matheus foi seguido por João Hermínio, presidente da Frente Nacional dos Torcedores. Ambos defenderam o transporte público, criticaram os vereadores e deram a deixa: começava ali a ocupação, pelo povo, da casa do povo.

O vereador chamava seu colega Cláudio Janta a falar na tribuna, e Janta insistia em discursar enquanto os manifestantes pulavam a separação da galeria e ocupavam o plenário. Rapidamente todos os espaços foram tomados, alguns vereadores ficaram no entorno enquanto o Bloco cantava. Em seguida, Lorena Castillo, integrante do Bloco e militante da Federação Anarquista Gaúcha, leu a Carta do movimento, com duas reivindicações principais: passe livre municipal e abertura das contas das empresas de transporte coletivo. De todas as organizações que compõe o Bloco, apenas o Coletivo Juntos não esteve presente no momento da ocupação.

Minutos após a leitura da carta o vereador Thiago Duarte voltou à frente do plenário para, junto com outros vereadores, conversar com os manifestantes. Os portões do pátio, fechados ainda antes do início do protesto, continuavam impedindo a entrada das dezenas que já se concentravam ali para juntarem-se à ocupação. Matheus e Briza Brizola, da Frente Autônoma, deixaram claro: “nossas reivindicações já foram apresentadas e só vai ter diálogo quando abrirem os portões”. Esclareceram ainda um compromisso do Bloco de evitar depredações: “a Câmara será entregue como está”. Também foi exigida a saída da equipe de reportagem do Grupo RBS para que o diálogo pudesse seguir. O movimento, como todos os movimentos sociais, tem sofrido com a criminalização constante por parte da mídia dominante. A democratização da mídia tem sido aos poucos incluída entre as pautas do Bloco.

Do lado de fora, mais e mais pessoas chegavam. Os portões não eram abertos e a tensão aumentava. Um dos portões foi balançado, alguns ativistas tentaram pular as cercas, e um Guarda Municipal ameaçou os manifestantes com uma arma de choque.

Enquanto isso os manifestantes que estavam do lado de dentro aguardavam a solução a respeito da abertura, e os vereadores se reuniam. Entre estes, a portas fechadas, três possibilidades foram defendidas: abrir os portões e respeitar a mobilização; não abrir os portões; pedir intervenção da Brigada Militar. Já passava de 20h quando o portão principal foi aberto, e então o Bloco mostrou domínio total sobre a Câmara, passando a decidir – e dessa forma seguiria – quem poderia entrar, pedindo apresentação dos estranhos ao movimento.

Assembleia Geral define pautas

A imprensa foi bem recebida, e foi a primeira a apresentar-se na Assembleia Geral que teve início assim que os que estavam do lado de fora conseguiram entrar. Os veículos da mídia alternativa foram aplaudidos. A Assembleia Popular durou cerca de uma hora, e lá já estavam mais de 250 ativistas. Foram feitas dezenas de intervenções de representantes das várias organizações que compõem o Bloco, trabalhadores e estudantes.

No centro das falas estiveram as duas principais reivindicações da organização: o passe livre municipal para estudantes e desempregados e a abertura das contas das empresas de ônibus com auditoria do Bloco de Luta. Além disso, mais uma vez foi criticada a redução da tarifa a partir da isenção de impostos e foi defendido que os custos do passe livre sejam compensados pela taxação das grandes fortunas.

Aproveitando que a Assembleia estava sendo transmitida ao vivo pela TV Câmara, foi feita a proposta de que os atos de quinta-feira, em razão da Greve Geral, caminhem até a Câmara para se agregar à ocupação. Segundo os manifestantes, a ocupação é “em caráter permanente até que sejam atendidas as reivindicações”. Ao fim do debate geral pequenos grupos se reuniram para debater questões específicas da organização do movimento – da comunicação ao aparato jurídico.

Durante as primeiras horas de ocupação vários cartazes foram incorporados ao cenário da Câmara. Depois de várias tentativas algumas militantes conseguiram colar, no entorno de um crucifixo que fica bem no alto da parede traseira do plenário, cartazes com os dizeres “Jesus é gay” e “Estado laico?”.

A próxima Assembleia Geral está marcada para as 8h de quinta-feira, e deve preparar a participação dos militantes nas atividades da greve geral nacional marcada para o dia 11.

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Foto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

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Foto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

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Foto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

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Foto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

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