Crise da Representação: A democracia participativa é a resposta?

6 set

Texto e fotos: Bruna Andrade / Jornalismo B

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O seminário Crise da Representação e Renovação da Democracia, que aconteceu em Porto Alegre nos dias 5 e 6 de setembro, contou com a presença de mais de 20 debatedores entre jornalistas, sociólogos e cientistas políticos. Eles discutiram o tema sob a perspectiva das novas narrativas e tecnologias, reforma da comunicação e das instituições democráticas e das experiências internacionais em novas formas de representação. O seminário foi promovido pelo Gabinete Digital do Governo do Estado e, como afirmou o coordenador geral do Gabinete, Vinícius Wu, durante a cerimônia de abertura, “serve para produzir reflexões que se desdobrarão em ações”.

Para o blogueiro Altamiro Borges, que participou do primeiro dia de debates, “há um certo consenso de que estamos vivendo uma grande crise da representação” e o grande papel econômico e político que a mídia exerce seria um dos causadores dessa crise. Na avaliação do secretário nacional do MST, João Pedro Stédile, os movimentos da juventude evidenciam uma “carência de democracia real”.

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No debate sobre as novas narrativas e a reforma da comunicação o jornalista Venício Lima avaliou que a crise de representação está “diretamente ligada à mídia” já que esta “produz um discurso que desqualifica a política e os políticos” e que “por defender interesses privados, a velha mídia exclui mais do que representa”. Antônio Martins, criador do Le Monde Diplomatique Brasil, defende que é preciso “enfrentar a velha mídia quando ela diz que todos políticos são iguais, e que a política é um estorvo à sociedade”.

Em meio a discussões sobre a reforma política, Joaquim Palhares, editor e fundador da Carta Maior, defende que essa não é a principal reforma a ser feita, para ele “a mãe de todas as reformas é a da comunicação”. Antônio Escosteguy Castro, advogado e colunista do Sul 21, acredita que os protestos criaram um contexto para a discussão dessa reforma: “nós temos que aproveitar o momento e fazer com que o governo e o parlamento assumam o debate da comunicação”.

Sobre o lugar do jornalismo em meio às novas narrativas, o editor da Revista Fórum, Renato Rovai, sustentou que “o jornalismo não vai morrer em função das novas tecnologias, mas ele mudou de lugar”. “O bom e velho jornalismo vai sobreviver e ele é fundamental. Ter que apurar é mais complexo, mas é fundamental”, defendeu Lino Bocchini, editor de mídia online da Carta Capital.

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No segundo debate do dia, sobre novas tecnologias e reforma das instituições democráticas, o sociólogo Sérgio Amadeu falou sobre a insuficiência das estruturas representativas para absorverem as necessidades de participação. Ele ainda propôs o uso de ferramentas interativas para a construção de uma democracia deliberativa: “A maior das liberdades que uma pessoa possui é a liberdade de deliberar e discutir questões políticas”. Já o professor da Universidade Federal da Bahia Wilson Gomes não acredita na existência de uma crise da democracia representativa, para ele não se trata de uma crise, pois “a democracia é um sistema em que você tem que ir corrigindo os problemas e os defeitos ao longo do tempo”, no entanto, ele endossa a visão apresentada por outros debatedores de que “faltam canais de participação”. Para o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Marco Cepik o problema é de “crise das estruturas de intermediação”. Natália Viana, jornalista da Agência Pública, ainda acrescentou ao debate a questão da “falta de representatividade e credibilidade” da mídia, que na sua visão “foi intensificada com os protestos de julho”.

A cientista política Celi Pinto abriu a última mesa de debates defendendo a necessidade dos partidos políticos à democracia: “A soma das opiniões individuais não é política”. Bernardo Gutiérrez, articulador internacional do 15M na Espanha, falou sobre a experiência do movimento “Maré Cidadã” e contou: “Os partidos chegaram incorporados ao movimento, sem exercer liderança”. 

Para Benedito Tadeu César, também cientista político, “estamos passando por um momento de muitas transformações. É uma crise geral e mundial”. E, após dois dias, o diretor do Centro de Estudos Europeus, Eirikur Bergmann, encerrou os debates elogiando as experiências de participação em Porto Alegre e deixando no ar a pergunta: “A democracia participativa é a resposta?”. 

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