Em coletiva a blogueiros, Tarso fala sobre reforma política, protestos e comunicação

6 set

Bruna Andrade / Jornalismo B

 Foto: Caco Argemi/Palácio Piratini

Foto: Caco Argemi/Palácio Piratini

Uma entrevista coletiva concedida pelo governador Tarso Genro (PT) a blogueiros e comunicadores comunitários, na tarde desta quinta-feira (5), marcou o início do seminário Crise da Representação e Renovação da Democracia. Durante a entrevista ele falou, entre outras coisas, sobre reforma política, protestos de junho e políticas públicas para a comunicação.

O governador deu início à coletiva falando sobre as experiências de utilização de ferramentas de participação através da internet, e apresentou os resultados da consulta popular sobre o tema da reforma política realizada entre os dias 3 e 19 de julho. Segundos os resultados da consulta 80% dos cerca de 180 mil participantes preferem que ela seja conduzida por uma constituinte eleita exclusivamente para este fim. Para Tarso o “esvaziamento da representação política” evidencia a necessidade de uma “profunda reforma política”.

Tarso comentou as denúncias de infiltração de grupos neonazistas. Ele afirmou ter recebido um pedido para que fosse feita a proteção do Bloco de Luta frente às ameaças de grupos de extrema direita. Ele ainda falou sobre participação do Black Bloc nas manifestações de junho: “Queremos permanentemente estabelecer um diálogo com eles (Bloco de Luta), mas o Black Bloc nós não sabemos quem são. Na minha opinião, eles são grupos anarco-direitistas movidos por um rede internacional cujo sentido é atacar qualquer governo, qualquer sistema, não interessa se é democracia ou não, se é de esquerda ou de direita”. O governador ainda afirmou que “existe um movimento social geral de desconforto com a ordem democrática atual e com a sua insuficiência”, porém “não é adequado colocar todo o movimento como se fosse a mesma coisa, é muito diferente o Bloco de Luta do Black Bloc, é diferente um grupo neonazista do Black Bloc, que a gente não sabemos o que é, assim como são diferentes os mascarados que saem na rua pra atacar pessoas e lideranças políticas do Black Bloc que sai às ruas para manifestar a sua inconformidade mascarado, já que não quer ser identificado porque acha que está cometendo uma ação revolucionária.”

 Foto: Caco Argemi/Palácio Piratini

Foto: Caco Argemi/Palácio Piratini

Perguntado sobre a ação da Brigada Militar no protesto do dia 28 de junho, em frente ao Palácio Piratini Tarso argumentou que “o corpo especializado da polícia aguentou duas horas de tijoladas e garrafadas, e por determinação do governador ficou parada. Não tomou nenhuma atitude, ficou sobre essa chuva de agressões, não do movimento social, mas de um grupo de pessoas organizadas para fazer essa provocação”. Ele também afirmou que a polícia protegeu determinadas propriedades porque estariam sob ataque: “a nossa obrigação é proteger, não interessa quem sejam. Nós somos obrigados a proteger prédios privados e públicos porque se não o fizermos nós podemos colocar em risco a vida de centenas de pessoas que nada têm a ver com o fato de a empresa não concordar ou ser hostil ao projeto que nós acreditamos”. Ele ainda colocou que o Governo instalou um órgão de recepção dentro da Secretaria de Segurança Pública para receber as reclamações dos manifestantes. “Nós queremos que essas pessoas se aproximem de nós e vão até a Secretaria de Segurança para discutir conosco que procedimentos nós fizemos de errado, e nós vamos dizer também os que eles fizeram de errado e que provocaram essa erupção da violência”, afirmou.

Sobre a questão da concentração em veículos da grande mídia das verbas publicitárias do Governo, Tarso afirmou não poder fazer a distribuição equitativa dos recursos por questões constitucionais: “Se nós distribuirmos de uma maneira totalmente voluntarista é considerado mau uso de dinheiro público. Na visão do Tribunal de Contas e do Ministério Público esses recursos não teriam o mesmo potencial informativo que teriam em um veículo de uma grande cadeia”. Ele ainda declarou apoiar o Projeto de Lei 159/2012, que prevê a distribuição de 10% dos recursos de publicidade entre pequenos veículos regionais. “Eu considero o PL 159, mesmo que seja taxado de inconstitucional, muito importante, didático e que abre um clarão no debate político sobre essa questão da distribuição de recursos” colocou. O governador ainda falou sobre o Conselho Estadual de Comunicação e lembrou que o projeto ainda foi encaminhado ao Legislativo porque o Governo não teria maioria para aprovar a proposta, segundo ele, mesmo na base aliada alguns deputados não votariam a favor, pois “se sentem intimidados com a pressão que existe de fora”. A respeito de o projeto ser de um conselho consultivo, e não deliberativo, como desejam alguns setores da sociedade, Tarso disse que um conselho consultivo “vai depender do governo do momento” e argumentou que no seu mandato “esse conselho consultivo teria um grande poder porque seria um órgão de concentração de políticas que comunicação que fluiriam ao longo do governo”.

O governador Tarso Genro ainda falou sobre questões como a refundação do PT, financiamento público de campanhas, reforma do Judiciário.

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