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Em protesto por demissão, Conselho Editorial da Revista de História da Biblioteca Nacional renuncia

12 jun

Da Carta Capital:

Cerca de três meses após a demissão de um repórter e um editor supostamente por motivação política, o Conselho Editorial da Revista de História da Biblioteca Nacional anunciou renuncia coletiva nesta segunda-feira 21. O grupo de historiadores, que tem nomes como Alberto da Costa e Silva, membro da Academia Brasileira de Letras, Laura de Melo e Souza, professora titular da USP, e Lília Moritz Schwarcz, também professora da USP, alegou interferência na publicação por parte de Jean-Louis de Lacerda Soares, presidente da Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional (Sabin), administradora dos recursos da revista.

Em carta, o grupo diz que a Sabin teria a tarefa de apenas administrar os recursos da revista e produzi-la, mas Soares “arrogou-se o direito de demitir e contratar o editor e de vetar nomes para o Conselho”. Eles já haviam ameaçado tomar essa atitude quando Luciano Figueiredo, ex-editor da revista, foi demitido em março. À época, a revista havia publicado em seu site uma resenha do livro A Privataria Tucana (Leia mais aqui), na qual o jornalista Celso de Castro Barbosa sugere que o ex-governador José Serra,  atual pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, esteja “morto” politicamente e que seria a figura com a “imagem mais chamuscada” pelas denúncias do livro. (Leia o texto aqui).

O PSDB protestou contra a revista, Figueiredo e Barbosa foram demitidos e a resenha retirada do ar. A revista nega, porém, interferência nas demissões. À epoca, Jean-Louis Lacerda Soares disse a CartaCapital, em nota, que a Sabin “não interfere no conteúdo editorial da revista” e que as demissões não tiveram relação com as reclamações dos partido.

O integrantes do conselho acusam a Sabin de ter virado “proprietária e controladora” da revista e dizem não aceitar “esta subordinação que lhe tira a autonomia necessária para dirigir uma revista séria e de qualidade.” A carta foi entregue ao presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Dr. Galeno Amorim.

Leia abaixo a íntegra da carta:

“Aos leitores, amigos e financiadores da Revista de História da Biblioteca Nacional,

Há algum tempo, o Conselho Editorial da RHBN está em conflito com a presidência da Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional (Sabin). A Revista foi ideada pela Biblioteca, cujo presidente, à época de sua criação, nomeou o Conselho e o editor. À Sabin coube sempre a tarefa de administrar os recursos da Revista e de produzi-la. No entanto, seu presidente arrogou-se o direito de demitir e contratar o editor e de vetar nomes para o Conselho.

De administradora, a Sabin tornou-se a proprietária e controladora da Revista. O Conselho não aceita esta subordinação que lhe tira a autonomia necessária para dirigir uma Revista séria e de qualidade. Os esforços do presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Dr. Galeno Amorim, no sentido de encontrar uma solução, resguardando ao mesmo tempo o papel da BN na escolha dos conselheiros e a prerrogativa do Conselho de escolher o editor, chocaram-se sistematicamente com a intransigência do presidente da Sabin.

Diante do impasse, e recusando abrir mão de sua independência, os membros do Conselho, abaixo assinados, decidiram por unanimidade entregar ao Dr. Galeno Amorim seu pedido de demissão.

É com pesar que nos vemos forçados a abandonar um projeto de que muito nos orgulhamos. Por sete anos, sem remuneração, em reuniões mensais com uma redação dedicada, levamos a mais de cem mil leitores a melhor revista de divulgação de História, dirigida por historiadores, jamais feita no Brasil e que nada fica a dever a suas congêneres no exterior.

Agradecemos o apoio recebido da presidência da Biblioteca Nacional, de leitores, amigos e financiadores, sobretudo do MEC, do Minc, da Petrobrás e do BNDES.

Alberto da Costa e Silva, membro da Academia Brasileira de Letras
Caio César Boschi, professor titular da PUC-BH
João José Reis, professor titular da UFBA
José Murilo de Carvalho, professor emérito da UFRJ, membro da Academia Brasileira de Letras
Laura de Melo e Souza, professora titular da USP
Lília Moritz Schwarcz, professora titular da USP
Luciano Figueiredo, professor associado da UFF
Marieta de Moraes Ferreira, professora titular da Fundação Getulio Vargas
Ricardo Benzaquen, professor assistente da PUC-RJ
Ronaldo Vainfas, professor titular da UFF”

Associação Riograndense de Imprensa promove Semana Hipólito José da Costa

5 jun
Da ARI:
A ARI promove a Semana Hipólito José da Costa – Dia da Imprensa entre os dias 31 de maio e 6 de junho de 2012.
Programação:
31 de maio, 14h, Planário da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul – Homenagem durante o Grande Expediente no Plenário 20 de Setembro
1º de Junho – Dia da Imprensa – 16h no Museu Hipólito José da Costa (Rua dos Andradas, Nº 959) – Lançamento do Documentário “Vida e Obra de Hioólito da Costa”
Dia 2 de Junho – sábado, 10h – Salão Nobre Hipólito José da Costa – Sede da ARI – Av. Borges de Medeiros Nº 915 – 8º Andar – Painel JORNALISMO DIGITAL – O Mundo de Sites e Blogs – Promoção conjunta com o Clube de Opinião
Dia 2 de Junho – Programa de Rádio Conversa de Jornalista – Transmitido pela Rádio Universidade da UFRGS diretamente do Bar Social da ARI, no mesmo endereço do Painel JORNALISMO DIGITAL
Dia 4 de Junho – Segunda-feira – Auditório da FAMECOS – PUCRS – Av. Ipiranga, 6.681 – Prédio 7 – Painel: “Quando a Imprensa é o Alvo” – “Painel da Aldeia”, “Eu estive lá: relato de cobertura”, “Jornalismo Investigativo”.
Dia 5 de Junho – Terça-Feira – Reunião do Conselho Deliberativo da ARI – Borges de Medeiros, 915 – 7º Andar
Dia 6 de Junho – Quarta-Feira – Salão Nobre Hipólito José da Costa – Sede da ARI – Av. Borges de Medeiros Nº 915 – 8º Andar – Painel – “A Informação em Xeque” – Tema Imprensa X Censura ; Outdoor: O lado do Mídia ; Comunicação Para Dentro

Rapper Emicida é preso em Belo Horizonte ao cantar contra repressão estatal

14 maio

O rapper Emicida, de 26 anos, foi preso após um show realizado no início da noite deste domingo, em Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, ao cantar a música “Dedo na Ferida”. Os policiais que o reprimiram alegaram a prisão por “desacato à autoridade”.

O artista realizava uma apresentação gratuita no festival Palco Hip Hop, na região do Barreiro, região onde na última sexta-feira foi efetivado o brutal despejo da Ocupação Eliana Silva. Os militares alegaram, através da assessoria de imprensa, que o rapper teria incitado o público a fazer gestos obscenos para a polícia e políticos durante a música “Dedo na Ferida”, em protesto contra o despejo.

A música “Dedo na Ferida” fala sobre a repressão praticada pelo Estado e promove uma crítica à corporação policial, tendo sido composta após o massacre do Pinheirinho, em São José dos Campos, interior de São Paulo, no dia 22 de janeiro de 2012.

O rapper esteve preso na 36ª Delegacia Seccional do Barreiro, onde prestou depoimento por volta das 21h50. O rapper foi liberado pelos militares às 22h30.